| ALTA MODERNIDADES
Aberta a exposição ALTA MODERNIDADE no Espaço Cultural Egydio Antônio Coser do Centro do Comércio de Café de Vitória.
A proposta da exposição coletiva que reúne trabalhos recentes de 8 artistas cariocas sob a curadoria do Professor da UFES João Wesley de Souza é mostrar os traços remanescentes do modernismo na produção contemporânea.
Segundo o curador, a arte moderna não se permitia absorver qualquer conexão com o real, era uma arte voltada para a própria linguagem e seus aspectos formais, para os pigmentos, as formas, os suportes, as cores, e a arte contemporânea recria um laço afetivo com a realidade e se permite contaminar pelo mundo com grande interação. “Quando se pensa na extensão da modernidade, tal constatação, no sentido da exatidão do termo, seria impraticável, posto que a evolução cronológica do tempo, acrescida das inovações tecnológicas, transformam as relações de produção e a arte contemporânea, inserida neste contexto, reflete de modo inexorável esta condição. Neste sentido, esta mostra intenciona explicitar o quanto, este grupo de artistas, em especial, estaria impregnado de algumas noções da arte moderna e as transportam consigo, junto do peito e gravado na memória de forma indelével, ao longo do tempo e do espaço, tornando, deste modo, durável, algumas substancias de valor estético.”
A exposição Alta Modernidade apresenta esculturas, pinturas, objetos e instalações que tem como eixo principal o rigor formal e a reflexão. O grupo se reúne periodicamente há oito anos com o professor João Wesley na Galeria do Poste, em Niterói, para estudar e discutir textos de filosofia da arte, propostos por ele mesmo ao grupo, e para acompanhar e analisar os projetos plásticos em andamento de cada um dos artistas. Durante este período os artistas amadureceram suas propostas e foram se transformando tanto pelas trocas de experiências entre os membros quanto pela sensibilidade do orientador de observar a capacidade de trabalho de cada um e ajudá-los a buscar o próprio discurso poético individual. “Eu acredito na qualidade da arte como produto do tempo de trabalho, uma obra de arte nasce com um esforço muito grande, uma poética não se constrói do dia para a noite... Tem artistas que passam uma vida toda e não conseguem fundar um discurso pessoal, até traçar um perfil é preciso muito tempo de dedicação. É foi isso que vi nesses componentes que formam o grupo.”
OS ARTISTAS:
Andréa Facchini trabalha com uma técnica tradicional: a pintura. Mas, o interesse da artista por esta forma de linguagem é permitir que ela se expresse dentro de um contexto contemporâneo. O recurso escolhido pela artista foi a estética do excesso, ou seja, suas pinturas representativas, em grandes formatos, são apresentadas com um nível de detalhamento intenso.
O trabalho de Ilcio Lopes gira em torno da representação visual de conceitos matemáticos dos fractais através da fixação de adesivos sobre paredes, tetos, piso, janelas e até mesmo em pessoas. O artista trabalha com o recorte e adesivagem de módulos fundamentais, tais como hexágonos, triângulos e losangos.
O trabalho apresentado por Eda Miranda é um objeto intitulado Cachoeira do Iguaçu. Elaborado com fios vermelhos de lã de ovelha e tubo de cobre, elementos recorrentes na obra da artista. Segundo a lã remete aos aspectos de proteção e acolhimento, a cor vermelha sugere vida, amor e energia e o cobre funciona como o condutor desta energia. A artista procura expressar através desta obra uma característica marcante em sua produção artística: o universo feminino.
Encontramos na obra de Maria Cherman os vestígios da modernidade através de alguns aspectos plásticos que nos remetem a arte abstrata e ao concretismo. Mas, na busca por uma aproximação com a linguagem contemporânea a artista acrescentou um novo elemento em suas produções elegantes e monocromáticas: a afetividade. Sua obra é construída a partir de vivências retiradas de seu cotidiano e de seus sentimentos: é uma instalação que narra ao espectador em forma de prosa escrita a hstória da sua relação amorosa com seu marido, falecido há alguns anos.
A obra de Norma Mieko Okamura ultrapassa os aspectos formais da pintura e vai mais além se entendermos o processo de elaboração de sua pintura que estabelece um diálogo com o cotidiano através da matéria-prima utilizada na construção de suas imagens. A artista não usa pincel e muito menos tinta, utiliza cascas, caules e raízes de alho na criação de suas telas com formas texturizadas.
Acreditando que atualmente o conceito de arte envolve diversas áreas do conhecimento, a artista Cristina Fernand foi buscar na geometria o embasamento conceitual para a construção de suas esculturas de aço carbono apresentadas nesta coletiva. Influenciada pelo Neo-concretismo a artista busca enfatizar em sua produção não só o produto final que surge, mas, a valorização das etapas de construção da obra.
A artista Renata Sgarbi apresenta um trabalho de aspecto estético orgânico, os “Sensores”, feitos com materiais que buscam uma certa leveza como os fios de piaçava. Cada fio tem como base uma pastilha semi-circular de cimento e gesso pigmentado e o conjunto é disposto na parede com equilíbrio e simetria vertical. Mas, toda essa simetria desaparece com o caimento desordenado e rebelde da piaçava.
Trabalhando com conceitos como a transparência, o movimento e a flexibilidade Anete Fernandes apresenta, para esta coletiva, esculturas criadas com instrumentos e técnicas artesanais. Explorando todas as possibilidades que o material proporciona, a artista cria tramas e volumes com fios de aço inox e elaborados com as agulhas e os enlaces do crochê e tricô.
O PROJETO EDUCARTE NA EXPOSIÇÃO ALTA MODERNIDADE:
O Espaço Cultural acredita na importância da relação direta do público com as matérias primas utilizadas pelos artistas, além da oportunidade de estar em contato com as obras e com os seus criadores, como forma de estimular o interesse pela teoria da arte e estimular prática artística entre os visitantes. Portanto, já na abertura da exposição o público será convidado a fazer dinâmicas de percepção e construção de obras com tecidos, fitas, fios e outros materiais que tenham ligação direta com as obras apresentadas pelos artistas.
Durante todo o período da exposição o público conhecerá a vida e a produção de cada artista, terá contato com conceitos da arte moderna e da arte contemporânea e participará de dinâmicas para melhor entendimento dos temas propostos por cada artista e realizará uma produção de um trabalho de arte com alguns dos materiais utilizados pelos artistas.
O Espaço Cultural recebe escolas, universidades, associações e grupos interessados em participar das atividades do Projeto Educarte. Para agendar uma visita basta ligar para 3235 23 11 e falar com os monitores.
A exposição estará aberta ao público de 13 de julho a 17 de agosto de 2007, das 8h às 19h, com visitas guiadas e atividades de arte-educação para visitantes das 9h às 12h e das 14h às 17h.
ESPAÇO CULTURAL EGYDIO ANTÔNIO COSER
Centro do Comércio de Café de Vitória
Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 675 - Ed. Palácio do Café
Térreo - Enseada do Suá Vitória - ES - 29.050-912
(27) 3235 23 11
(27) 3225 34 98
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