EXPOSIÇÃO
MARCA LANÇAMENTO DO RIOCAFÉ
Com uma mostra sobre a história do café
no Brasil, patrocinada pelo SESC e pela Fecomércio-RJ, foi
inaugurado oficialmente o Centro de Referência e Memória.
“O café do Brasil. O Brasil
do Café”. O tema da exposição
que inaugurou oficialmente o Centro de Referência e Memória
do Café(RioCafé) traduz perfeitamente o sentido do
novo espaço dedicado à história e ao presente
do produto que já foi o principal item da pauta das exportações
brasileiras. Em um coquetel realizado no dia 16 de dezembro, o Centro
do Comércio de Café do Rio (CCCRJ), com o apoio do
Ministério da Agricultura, lançou também a
biblioteca do café, última etapa que faltava para
completar o RioCafé, localizado na sede do próprio
centro, na rua da Quitanda, Rio de Janeiro.
A solenidade de inauguração do novo espaço
foi concorrida e contou com a presença de autoridades do
setor público ligadas ao agronegócio cafeeiro e da
iniciativa privada. Entre os convidados, estavam o secretário
de produção e comercialização do Ministério
da Agricultura, Lineu Carlos da Costa Lima; o subsecretário
de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, Alberto Mafati;o embaixador
e chefe do departamento econômico do Itamaraty, Piragibe Tarragô;
o deputado federal Odair Cunha; o presidente da Federação
do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), Orlando
Diniz; Antonio Nacif, da EMBRAPA, entre outros, Empresários
do setor como Jair Coser, Ruy Barreto, Jônice Tristão
e Alexandre Beltrão também participaram do evento.
“O projeto RioCafé se tornou viável
em grande parte pelo decisivo apoio do Ministério da Agricultura.
A colaboração da Fecomércio também foi
essencial para viabilizar a exposição realizada no
Centro de Referência”, comentou o presidente
do Centro de Comércio de Café do Rio de Janeiro, Guilherme
Braga, em discurso no dia do lançamento.
Para o secretário Lineu Carlos da Costa Lima, o RioCafé
é uma oportunidade de resgate da história do café
no Brasil.
“Gostaria de cumprimentar o CCCRJ pela iniciativa,
pois precisamos recuperar o orgulho da cafeicultura brasileira.
Afinal quem não conhece o passado não sabe o que representou
o café para a construção do país”,
ressaltou o secretário de produção e comercialização
do Ministério da Agricultura.
Segundo Lineu Lima, apenas em 2004 as exportações
de café alcançaram quase dois bilhões de dólares,
com a comercialização de 26 milhões de sacas
para o exterior. “Para o ano de 2005, estamos antevendo
uma no ainda melhor e a meta é atingir a cifra de 2,5 bilhões
de dólares nas exportações em função
de melhores preços para o produto no mercado internacional.
O RioCafé está aí para mostrar essa força
do café brasileiro, que responde por 40% do mercado mundial”
destacou.
“O Centro de Referência e Memória vem
enriquecer de sobremodo o acervo cultural do Rio de Janeiro como
referência da excepcional contribuição da cafeicultura
ao desenvolvimento econômico e à formação
sócio política do Brasil. A Fecomércio-RJ e
o Sesc-Rio muito se orgulham em participar dessa inestimável
iniciativa”, afirmou o empresário Orlando
Diniz, presidente da Fecomércio-RJ e do Sesc-Rio.
BIBLIOTECA DISPONÍVEL NA INTERNET
No dia 16 de dezembro, a Biblioteca do Café entrou de vez
no mundo virtual. Para catalogar as mais de 6,2 mil obras agora
disponíveis na Internet, as bibliotecárias Diana Netto
Teixeira e Lenira Lacerda Câmara Lima se debruçaram
durante mais de seis messes sobre o acervo do extinto Instituto
Brasileiro do Café (IBC), que hoje está guardado no
Ministério da Fazenda, e sobre a spublicações
do Centro do Comércio de Café do Rio. O resultado
é um fantástico banco de dados do café, que
pode ser acessado não apenas nos dois terminais de computador
disponíveis no Centro de Documentação do RioCafé,
mas também pelo site do CCCRJ (www.cccrj.com.br), de qualquer
lugar do país e do mundo.
O internauta pode consultar todo acervo do extinto IBC e do Centro
do Comércio de Café por meio de um link para a biblioteca
no site da associação. Assim como funcionam as ferramentas
de busca na Internet, na biblioteca virtual do café, o tema
para consulta é livre – basta digitar palavras-chaves
que ajudem a identificar as obras. Cada publicação
conta com uma ficha específica, onde está descrito
o assunto abordado, o tipo de documento (folheto, livro, revista,
tese, capítulo, periódico e etc), o autor, o local
onde está arquivada a obra e o ano de edição.
Publicações de valor histórico, como o Saluberrimat
– primeiro livro, escrito em 1671 em latim, que trata dos
benefícios do Café para saúde – podem
ser encontradas nesse banco de dados. A obra faz parte do acervo
do extinto IBC e agora pode ser identificada a distância por
meio de uma simples consulta na página da biblioteca. “Nesse
catálogo virtual existem obras históricas, mas também
podem ser encontrados documentos mais recentes que pertencem ao
Centro do Comercio do Café do Rio”, afirma Diana Teixeira.
Tanto Diana, como Lenira trabalharam por quase 30 anos na biblioteca
do IBC. Mas, em 2004, as pesquisadoras tiveram a oportunidade de
rever livros que para elas eram páginas viradas em suas vidas.
“Tenho muito carinho por esse material, afinal, foram anos
de dedicação”, conta Lenira. A bibliotecária
se emociona ao lembrar do dia em que lhe entregaram , ainda no IBC,
os oito volumes do Grupo de Estudo de Café de Washington,
a partir do qual foi criado o Convênio Internacional do Café.
“Esses documentos não convencionais nunca foram
colocados à venda e são preciosidades da biblioteca
do IBC que acabamos de garimpar”, destaca.
“Para disponibilizar para consulta na Internet as
obras do IBC na época enviávamos os documentos para
ele por malote nos Estados Unidos”, lmebra Lenira.
O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria
de Café Solúvel, Mauro Moitinho Malta, ficou surpreso
com o banco de dados. “Encontramos 27 publicações
assinadas pelo Moitinho Malta, entre livros, teses, artigos e documentos
– nem ele lembrava de todas”, descreve a bibliotecária.
Livros em inglês, alemão, italiano, espanhol, japonês
e francês podem ser consultados na biblioteca virtual, que
primeiro selecionaram as publicações que tratavam
do café, pois muitas abordavam outros assuntos que não
estavam ligados ao produto. O passo seguinte foi catalogar e digitar
as características de cada obra. Na biblioteca virtual, encontram-se
fichas de livros e documentos nacionais e internacionais, que tratam
do café sobre diferentes aspectos – histórico,
econômico, industrial, agrícola, gastronômico,
artístico, medicinal, folclórico, entre outros.
A tese de mestrado de Delfim Neto, defendida na Universidade de
São Paulo, e do economista Edmar Bacha, na Universidade de
Yale, também estão disponíveis no acervo da
biblioteca do café. “ Em 1968, Edmar Bacha pautou toda
a sua tese com base nos livros do IBC. Na conta ainda com pesquisas
da Associação Científica Internacional do Café
e de outras instituições. Para ampliar ainda mais
o acervo, o Centro do Comércio de Café está
recebendo doações de livros, fotos e documentos sobre
o café.
O acervo do IBC continuará no Ministério da Fazenda,
onde está disponível para empréstimo e consulta,
já as obras do Centro de Comércio de Café foram
colocadas para pesquisa do público em geral em uma grande
estande, no 11° andar do edifício sede da associação.
Entre as obras do CCCRJ, destacam-se as coleções das
Revista do Café e da Revista do Departamento Nacional do
Café, que foram encadernados novamente.
EXPOSIÇÃO TEMÁTICA
Na ocasião do lançamento oficial do RioCafé,
foi montada uma exposição que conta a história
do café no Brasil com o enfoque do comércio exportador,
sem, no entanto, deixar de abordar o restante da cadeia produtiva.
Dividida em três módulos, a mostra, patrocinada
pelo Sesc-Rio e pela Fecomércio-RJ, é um verdadeiro
passeio pela cafeicultura brasileira. Para ilustrar essa viagem
que permeia grande parte do século XIX e termina nos
dias de hoje, pequenos textos, fotos e gravuras estão
dispostos em 40 painéis – construindo uma atmosfera
apropriada para o RioCafé.
Da chegada do primeiro pé-de-café no Brasil, passando
pelo crescimento das cidades entorno do porto, pela instalação
da bolsa de café, depois pela expansão do produto
brasileiro no comércio exterior – até os
avanços tecnológicos obtidos já no século
XXI, tudo é retratado de forma resumida. Os módulos,
com diferentes temas, são separados por cores distintas.
A última ilha, intitulada Café Hoje, aborda o
panorama atual do Comércio de Café. O café
goumert, a modernização dos portos para embarque
do produto, a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F),
a sofisticação tecnológica em todos os
segmentos da cadeia produtiva e a descoberta do genoma do café
são ilustrados nos painéis.
“As fotos ilustrativas foram retiradas do acervo
do IBC, do CCCRJ e do livro Palácio do Café. Gravuras
de Debret e Rugenta também compõe a mostra”,conta
o designer Raul Coachman, da Daudt Design, empresa responsável
pela montagem da exposição. No primeiro módulo,
que trata do inicio da cafeicultura brasileira, as fotografias
em preto e branco dão um ar de álbum antigo à
exposição.
A mostra ficará em caráter permanente no Centro
de Referência, mas também está preparada
para, eventualmente, ser transportada para eventos ou espaços
públicos. "Todos os painéis ou apenas
parte deles pode ser montada em outros locais.
Os inódulos não precisam ser fixados em paredes
ou no teto e podem ser armados em outros locais em conjunto
ou individualmente", explica Raul Coachman.
0 designer que até então pouco conhecia do mercado
de café conta que ficou surpreso ao descobrir que, apesar
de o café responder atualmente por apenas 2% da pauta
brasileira de exportações, o Brasil ainda é
o maior exportador, maior produtor e segundo maior consumidor
de café no mundo. A lição foi aprendida
enquanto preparava os textos para a mostra, mas está
aí para ser repassada para leigos de todo o país.
No dia da inauguração do espaço, para atrair
o público para a exposição, no 11°
andar do Centro do Comércio de Café do Rio, foram
montados dois painéis Rubro Café, cafeteria temática
localizada no térreo do mesmo prédio. A cafeteria
como de costume, estava lotada, e será sempre a porta
de entrada para o de Referência e Memória do Café
Exportador de um espaço permanente para exposição
o Memorial do Comércio Exportador da biblioteca e da
Rubro Café, o Centro de Referência conta ainda
com um Centro de Treinamento e Qualidade (CTQ). |

CENTRO DE TREINAMENTO
Em 2004, o Centro de Treinamento e Qualidade (CTQ) formou mais
de 200 pessoas nos cursos de barista, café expresso,
classificação e degustação de café.
“Além de amento é um ptreinar o pessoal
que já atua no setor, estamos capacitando novos profissionais
para trabalhar nesse segmento", afirma Mônica
da Costa Pinto, coordenadora do CTQ. 0 Centro de Treinrojeto
realizado em parceria com a Associação Brasileira
da Indústria do Café (ABIC) e com o Instituto
Nacional de Controle de Qualidade dos Alimentos (INCQ).
Ao todo, em 2004, o CTQ promoveu em Nova York foi montada uma
turma de 100 horas de curso. A maioria das aulas é ministrada
no próprio RioCafé, que conta com instalações
apropriadas como mesa de classificação e máquinas
de expresso para os módulos práticos e teóricos.
Ainda assim, algumas turmas também foram formadas em
outros estados, como Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito
Federal, Bahia, Paraná e Rondônia. Até mesmo
em Nova York foi montada uma turma de classificação
e degustação por encomenda da Brazil Coffee House.
A maioria dos cursos de classificação e degustação,
assim como o café expresso, foi dirigida para empresas
que contrataram o CTQ para capacitar seus funcionários.
A Esso, por exemplo, chegou a patrocinar um curso para todos
os empregados das suas 20 lojas de conveniência que oferecem
café expresso. Entre os clientes corporativos destacaram-se
ainda a Nestlé e outras empresas de torrefação,
cafeterias, restaurantes, cooperativas agrícolas, associações
de classe, indústrias ligadas ao setor e entidades públicas
como a Embrapa.
Já 59% dos inscritos no curso de barista eram pessoas
fisicas. "Normalmente são profissionais
liberais apostando em um novo mercado de trabalho ou querendo
se aperfeiçoar", comenta Mônica Pinto.
Ao final do curso de expresso, os alunos aprendem também
a criar diferentes drinques a base de café. No dia da
inauguração do RioCafé, uma pequena mostra
do que é passado para os alunos era servida na entrada
da exposição. "Muitas cafeterias
apresentam queda nas vendas no verão. Para atender a
esse mercado tropical, criamos mais de 20 tipos de drinques
com café, como, por exemplo, o cooler uma bebida que
mistura café gelado com sucos naturais",
relata o professor Irineu Lobo Rodrigues, da Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro, que também faz parte do time
de instrutores do CTQ. Além de oferecer cursos, em 2005,
o CTQ também atuará na elaboração
de análises macro e micro biológicas de grãos,
e na emissão de laudos de ocratoxina. |
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